quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Ô mãe!

— Mãe, como faço pra saber se a Duda gosta de mim?
— Ué filho, pergunte a ela.
— Já perguntei, ela disse que sim, mas quase sempre parece que não. Tem dias que ela fica comigo e a gente toma sorvete juntos, tem dias que ela fica longe.
— Você tem que dá um tempo a ela, talvez ela esteja confusa.
— Confusa a tanto tempo, mãe? Desde o ano passado estamos assim.
— Você precisa esperar um pouco mais então. Nunca sabemos a verdadeira intensão das pessoas, poucas pessoas hoje são verdadeiras. Você tem que ser cuidadoso, e quando achar alguém realmente verdadeiro, guarde com você, não deixe que escape.
— Claro mãe, assim como eu faço com a senhora.
— Não se iluda com palavras, filho, assim como elas te deixam triste, podem te fazer chorar.
— E o que eu faço com a Duda?
— Espere um pouco mais, se não der certo procure uma Maria, ou quem sabe uma Isabela?

Carta 1

Oi. Não sei o que começar dizendo para que teu interesse em terminar de ler esta carta aumente. Por tanto serei breve, não quero te fazer perder tempo.
Te escrevo esta carta para dizer que tu não te preocupes mais, não vais precisar mais fugir de mim e nem inventar desculpas, tive problemas aqui em casa e vou morar com uma tia em outro país. Tu estarás enfim livre da minha presença, dos meus telefonemas, minhas mensagens e poderás me esquecer em paz.
Já eu não, não te esquecerei, só eu sei o quanto tu és importante para mim, mesmo que eu me apaixone mil vezes ainda, nada chegará perto disto de agora. Mas não te culpo, por nada, eu sei que o amor é para poucos, menina, sei que você é uma fraca e que nunca conseguiria ter e sustentar algo tão intenso, não comigo, com esse meu jeito, com essa bagunça que sou eu.
Não foi como eu esperava, quer dizer, nem foi, nada chegou a acontecer, nem sei o que foi isso, talvez só um reflexo. E nunca acontecerá, por mais que eu te ame mais do que os poemas de Vinicius de Morais e as músicas de Chico Buarque possam expressar, eu sou sensato, tenho consciência dos meus limites, sei que com você não vela a pena, que tu só jogou fora o que eu te dei, tantas chances nos dei, mas no fim você não queria nada, não é? Eu perdia meu tempo te escrevendo todas as minhas mais sinceras palavras, com todo o sentimento que tenho aqui, eu que nunca fui de me demonstrar, confiei em ti, pensei que eras diferente. Mas diferente de quem? A diferença é que você é uma idiota encantadora.
Mas eu estou bem, vou conseguir, eu só não podia era continuar me iludindo com todas as suas palavras bonitas, que na verdade eram só da boca pra fora, e você só ria de mim. Já não escuto mais as músicas que me lembram você, eu disse que não vou te esquecer, eu sei, mas o que não quero é pensar em você o tempo todo. Mas ainda me lembro de como tudo começou, e lembrarei também como terminou esse nunca-começado-nós. Porque apesar dos pesares, ainda tens minha amizade, não sei o que podes fazer com ela, mas fique, pode te servir de consolo quando estiveres sozinha novamente, assim como quando eu te encontrei.
Prometo te escrever mais vezes, e juro ser menos dramático, mas estas são um pouco das coisas que estão presas aqui dentro de mim. E só a título de aviso, para que tu não percas teu tempo pensando em algum dia ir atrás de mim, não faça isso, não tenho mais tempo para tuas mentiras. Ainda não sei como dizer a mim que o mais perto do amor que cheguei foi vencido pelo medo.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Ninguém?

A vida passa tão depressa que a gente não tem nem tempo de olhar para os lados antes de atravessar. É tudo tão louco, tão imprevisível. Mas tu imagina se pudéssemos prever o futuro? É, seria o mesmo que dizer que nossas decisões não influênciam no nosso destino, que mesmo se ficármos parados aquilo vai acontecer. Mas a verdade é que o bom futuro está lá para todos, assim como o ruim, são várias portas, nossas decisões são quem definem qual delas estará aberta quando precisarmos.
Cara, tu já passou por tanta coisa, já sofreu tanto, já foi tão feliz também. Não vai desistir agora, isso logo passa, como tudo sempre passou, lembra daquela música do Renato: "tudo passa, tudo passará...". Faz assim: vem pra cá, fica comigo, eu também ando sozinho e seria bom te ter por aqui, tem uns livros novos que eu queria te mostrar e eu comprei aquele cd que tu queria ouvir. Vem pra cá que eu tiro essa solidão de ti e tu tira a minha. Mas se tu não quiser vir, tudo bem, eu vou até aí, só não quero é te deixar sozinho.

Pare!

A sociedade é tão hipócrita que mente para si mesma. Cada um com seu egoísmo vai em frente lutando e derrubando o outro para conquistar o que quer. Talvez seja banal já, mas mesmo que seja não o faz que seja certo. É preciso parar com essa mania de a prática tornar o ato certo, ou insignificante. 
A gente vê todos os dias como viver não é só viver-para-si, estamos em um sistema, e tudo o que fazemos afeta direta ou indiretamente o outro. Com a globalização isso só se intensificou, vejamos a crise na Europa, está afetando o mundo quase todo. É preciso se preocupar além-de-si e ver o próximo, sempre. É uma pena que a minha conclusão/opinião não vá mudar nada, além-de-mim.

sábado, 9 de abril de 2011

Tradução: Me desculpe, mas não consigo ver a diferença.
Não pense que escrevo aqui o meu mais íntimo segredo, pois há segredos que eu não conto nem a mim mesma. E não é só o último segredo que revelo: há muitos segredinhos primários que eu deixo que se mantenham em enigma.

Clarice Lispector

Na cafeteria

__ O que o senhor deseja?

"Quero colo e ombro.
Um cafuné e dois cafés
beijos e um pouco de aconchego."

Ah, embrulha pra viagem por favor.


Kaio Bruno Dias
kaiobrunodias.blogspot.com
(Foi onde eu achei) 
Chorei três horas, depois dormi dois dias.Parece incrível ainda estar vivo quando já não se acredita em mais nada. Olhar, quando já não se acredita no que se vê. E não sentir dor nem medo porque atingiram seu limite. E não ter nada além deste amplo vazio que poderei preencher como quiser ou deixá-lo assim, sozinho em si mesmo, completo, total.

Caio F. (lindo) Abreu
A vida tem caminhos estranhos, tortuosos às vezes difíceis: um simples gesto involuntário pode desencadear todo um processo. Sim, existir é incompreensível e excitante. As vezes que tentei morrer foi por não poder suportar a maravilha de estar vivo e de ter escolhido ser eu mesmo e fazer aquilio que eu gosto - mesmo que muitos não compreendam ou não aceitem.

Caio F. Abreu