A menina, aquela menina.
Menina que não se importava com nada, andava pelas ruas sem preocupação, fazia o que tinha vontade, não lhe importava que os a estavam olhando. Aquela que corria, gritava, ria, vivia... Passava sem ser notada e sem notar, apenas mais uma menina. Até que um dia lhe apareceu o amor, que lhe trouxe muito, lhe trouxe medo, ansiedade, tristeza, felicidade, inveja, vaidade, cuidado. Medo de perder o que ainda não lhe pertencia; ansiedade para ver tal; tristeza por não ter; felicidade por ver; inveja de quem lhe tinha; vaidade e cuidado para ser notada, gradar. Depois desse tal de amor aparecer a menina nunca mais foi a mesma, a menina não mais corria, gritava e ria, a menina prestava atenção em cada detalhe, a menina perdia seu tempo pensando no que pensavam dela, a menina ficou impreguinada pela ansiedade. A menina já não era mais a menina, aquela menina.
Agora ela chorava antes de dormir, agora ela observava aquele que não sabia de sua existência, mas que lhe pertencia sem saber. Ela esquecera como era antes do tal amor chegar, achara que antes dormia e acordara como quem acorda atrasado pra uma entrevista de emprego importante, não teve tempo de se aprontar pro amor, ela não esperara, teve de aprender sozinha, agora ela embreagara-se e não tinha mais volta, estava feito. A menina que não era mais menina não teve de fato aquele a quem pertencera tanto, mas por sorte - sim, sorte -, aquele não fora o último, apenas o primeiro de muitos a quem pertencer, chorar, cuidar, observar, amar.
Agora ela chorava antes de dormir, agora ela observava aquele que não sabia de sua existência, mas que lhe pertencia sem saber. Ela esquecera como era antes do tal amor chegar, achara que antes dormia e acordara como quem acorda atrasado pra uma entrevista de emprego importante, não teve tempo de se aprontar pro amor, ela não esperara, teve de aprender sozinha, agora ela embreagara-se e não tinha mais volta, estava feito. A menina que não era mais menina não teve de fato aquele a quem pertencera tanto, mas por sorte - sim, sorte -, aquele não fora o último, apenas o primeiro de muitos a quem pertencer, chorar, cuidar, observar, amar.
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