Oi. Não sei o que começar dizendo para que teu interesse em terminar de ler esta carta aumente. Por tanto serei breve, não quero te fazer perder tempo.
Te escrevo esta carta para dizer que tu não te preocupes mais, não vais precisar mais fugir de mim e nem inventar desculpas, tive problemas aqui em casa e vou morar com uma tia em outro país. Tu estarás enfim livre da minha presença, dos meus telefonemas, minhas mensagens e poderás me esquecer em paz.
Já eu não, não te esquecerei, só eu sei o quanto tu és importante para mim, mesmo que eu me apaixone mil vezes ainda, nada chegará perto disto de agora. Mas não te culpo, por nada, eu sei que o amor é para poucos, menina, sei que você é uma fraca e que nunca conseguiria ter e sustentar algo tão intenso, não comigo, com esse meu jeito, com essa bagunça que sou eu.
Não foi como eu esperava, quer dizer, nem foi, nada chegou a acontecer, nem sei o que foi isso, talvez só um reflexo. E nunca acontecerá, por mais que eu te ame mais do que os poemas de Vinicius de Morais e as músicas de Chico Buarque possam expressar, eu sou sensato, tenho consciência dos meus limites, sei que com você não vela a pena, que tu só jogou fora o que eu te dei, tantas chances nos dei, mas no fim você não queria nada, não é? Eu perdia meu tempo te escrevendo todas as minhas mais sinceras palavras, com todo o sentimento que tenho aqui, eu que nunca fui de me demonstrar, confiei em ti, pensei que eras diferente. Mas diferente de quem? A diferença é que você é uma idiota encantadora.
Mas eu estou bem, vou conseguir, eu só não podia era continuar me iludindo com todas as suas palavras bonitas, que na verdade eram só da boca pra fora, e você só ria de mim. Já não escuto mais as músicas que me lembram você, eu disse que não vou te esquecer, eu sei, mas o que não quero é pensar em você o tempo todo. Mas ainda me lembro de como tudo começou, e lembrarei também como terminou esse nunca-começado-nós. Porque apesar dos pesares, ainda tens minha amizade, não sei o que podes fazer com ela, mas fique, pode te servir de consolo quando estiveres sozinha novamente, assim como quando eu te encontrei.
Prometo te escrever mais vezes, e juro ser menos dramático, mas estas são um pouco das coisas que estão presas aqui dentro de mim. E só a título de aviso, para que tu não percas teu tempo pensando em algum dia ir atrás de mim, não faça isso, não tenho mais tempo para tuas mentiras. Ainda não sei como dizer a mim que o mais perto do amor que cheguei foi vencido pelo medo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário